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Superinteressante x Alamar e Simonetti

São Paulo, 5 de abril de 2010.
De: Alamar Régis Carvalho
Para: Revista SUPERINTERESSANTE
Diretor de Redação: Sérgio Gwercman
sgwercman@abril.com.br

Senhor Redator:
Indignadamente venho protestar, veementemente, pela explícita
parcialidade, preconceito e espírito armado, praticado por Gisela
Blanco, na edição de abril da Super interessante, quando escreveu a
infeliz e lamentável matéria sobre o Chico Xavier, matéria essa que a
revista, também, comete um grande equívoco, comprometendo o seu
conceituado nome, ao dizer que a suposta “investigação” é da revista
e não de uma repórter desprovida de ética e honestidade jornalística,
sem perceber que nem todos os seus leitores são acéfalos e
desinformados.
Durante anos, lendo com admiração a Super interessante, nunca vi
essa, até então, respeitável revista se expor a tamanho ridículo como
nesta matéria que, na minha concepção, chega a praticar o que
chamo de mau caratismo jornalístico.
Não é que, movido por cegueira religiosa, gostaríamos de matérias
apenas elogiosas ao Chico, favoráveis ao Espiritismo ou sempre
concordantes com uma determinada idéia, porque aí estaríamos,
também, nas mesmas condições dos ridículos. O problema é a
infelicidade da repórter, numa revista desse porte, comportando-se
como se fosse uma estagiária, que não sabe o que é imparcialidade
no escrever e que não tem experiência em checar as fontes das
informações, antes de levar a público.
Em princípio, logo no primeiro parágrafo, identificamos o quanto a
repórter é despreparada, quando utiliza-se da expressão
“Kardecismo”, para se referir a doutrina que tem um nome, que é
“Espiritismo”, já identificando, aí, que a sua cultura é a do “ouvi
dizer”, o que é lamentável em uma jornalista, sobretudo de uma
revista de tamanho conceito em um país, como é a Super
interessante que, pelo seu nível e pela posição da editora Abril,
deveria selecionar melhor os seus profissionais.
Percebe-se, também, claramente, a má fé da repórter, quando ela
coloca o “Há quem diga que Chico tinha um jeito de conseguir os
dados”, numa pré-disposição em querer caracterizar, de qualquer
jeito, o que ela já vem intencionada a mostrar, que é fraude.
Ora, senhor redator, há quem diga também que Jesus era um
homossexual, que tinha os seus apóstolos como seus amantes, a
ponto até de colocar esta insana visão na película de um filme, com
proposta de ser exibido no mundo todo. Os muçulmanos radicais, que
odeiam o Cristianismo, certamente vão adorar esse filme e saírem por
aí, conceituando Jesus conforme a cabeça do irresponsável e
inconseqüente cineasta. É justo, isto?
Se surgir algum escritor, qualquer, para dizer que os apóstolos
trocaram os potes de água por potes de vinhos, enquanto Jesus
fizesse um gesto de mágica, para distrair o povo de Canaã e que,
ainda, o vinho teria sido roubado, pelo próprio Jesus, de uma grande
vinícula de Jerusalém, a Super interessante publicaria uma matéria
insinuando que Jesus fora ladrão e trapaceiro, sob a alegação do há
quem diga?
Na sua inconseqüência jornalística, Gisela vem também reforçar a
tese do “há quem diga”, colocando que “funcionários do centro
espírita iam à fila pegar detalhes dos mortos”.
Que funcionários seriam esses? Desde quando centros espíritas
possuem funcionários, sobretudo para a prática de atitudes tão
estúpidas quanto essas, insinuadas, ainda mais o centro dirigido pelo
Chico, que sempre viveu em condições modestas, para servir e nunca
para se servir das pessoas?
Será que essa inconseqüente e irracional Gisela não teve o mínimo
de inteligência para discernir, antes, que se o Chico quisesse aplicar
algum golpe, para enganar, ludibriar e trapacear pessoas, obviamente
teria, ele, se apoderado do dinheiro proveniente da venda dos seus
livros que, em situação normal, faria qualquer escritor rico, em
qualquer parte do mundo?
Onde já se viu, por exemplo, um político corrupto aplicar as suas
safadezas e jogadas ilícitas, que não fossem para ter benefícios
materiais próprios, que viessem a beneficiar a ele, aos seus familiares
e filhos, recheando a sua conta bancária e aumentando o seu
patrimônio pessoal? Alguém conhece algum corrupto que não esteja
muito bem de vida, do ponto de vista material?
Qual foi o patrimônio do Chico, em Pedro Leopoldo ou Uberaba, que a
Gisela viu, para ter feito colocações tão infelizes?
Deixa de ser apenas leviandade jornalística e passa a ser, também,
burrice jornalística.
Até hoje está conservada em sua casa, em Uberaba, a cama que ele
deitava e onde morreu, bem como os móveis da casa e os seus
pertences.
Só mesmo uma pessoa de elevado índice de acefalia para admitir que
um homem, com propostas de enganar os outros, por tantas décadas,
conseguindo vender mais de 25 milhões dos seus livros produzidos,
poderia viver numa casa tão simples como aquela, deitando-se numa
cama daquela, só faltando um pinico embaixo.
Teria, no mínimo, uma mansão sofisticada, quarto em mármores e
granitos, a mais luxuosa banheira e aposentos semelhantes à casa do
Edir Macedo.
Falar nisto, Sérgio, que tal a sugestão para que a mesma Gisela faça
uma investigação jornalística, hem? Tem vários nomes, em nosso
país e, se você quiser, posso lhe dar várias informações. Quero ver,
nos próximos números da Super interessante, se ela vai continuar
desenvolvendo o seu trabalho jornalístico, nessa linha investigativa,
logo no Brasil que é um prato cheio, para tal.
Quando Gisela coloca a parte da matéria que titula de Pirotecnia,
chega a insistir no ridículo, quando fala em “shows do Chico”, luzes
coloridas por detrás dos panos, demonstra, mais uma vez, a sua cara
e a sua intenção na matéria.
Ela cita também, sempre tendenciosamente, o episódio do tal
sobrinho do médium, ocorrido, ainda, na década de 50, mas conta a
história pela metade, tendo omitido que aquele jovem, de apenas 25
anos na época, se deixou seduzir por pessoas maldosas, que lhe
deram dinheiro, e muito dinheiro, para fazer aquilo. Por que omitiu
essa parte, Gisela? Fingiu que não soube disto? É ou não é matéria
investigativa?
Ficou parecendo as levianas afirmativas do padre Quevedo, quando
diz que as irmãs Fox confessaram que todos os fenômenos de
Hydesville eram fraudulentos, mas omitindo o fato delas terem feito a
tal “confissão”, seqüestradas por padres, com chicotes e
instrumentos de torturas nas mãos, obrigando-as, sob ameaça de
morte, a dizerem aquilo.
Que a Super interessante pergunte a si mesma: Será que um
universo de milhões de pessoas, dentre elas inúmeras possuidoras de
nível intelectual e de inteligência elevada, doutores, mestres, PHDs,
pesquisadores, investigadores, cientistas e, inclusive, vários
jornalistas também praticantes do jornalismo investigativo seriam
todos ingênuos, bobos e desinteligentes, a ponto de não terem
percebido as tais fraudes, que a “super inteligente” Gisela aponta,
como se fosse uma super revelação?
Ainda bem que nem todo mundo é trouxa, inclusive os leitores da
Super interessante, para se deixarem levar pelo veneno que existe na
alma de certos repórteres ou jornalistas que se aproveitam de uma
poderosa tribuna, da respeitável Editora Abril, para denegrir a imagem
de quem teve uma vida, incontestável, semeando o Amor.
Eu poderia entrar em mais detalhes, sobre as aleivosias colocadas na
matéria, mas o grande escritor Richard Simonetti, meu amigo, já
escreveu para vocês e disse muita coisa que precisava ser dita.
Para concluir, quero dizer que continuarei, sim, a ser leitor da Super
interessante, mas, com mais atenção, sabendo dessa sua fragilidade.
Não a condenarei, por conta de um momento tão infeliz e estúpido,
porque sei que o errar é humano e tenho quase certeza de que a
matéria não deve ter agradado nem mesmo a sua chefia de redação;
mas vou continuar cobrando, da jornalista investigativa Gisela, que,
para demonstrar a sua coerência, traga já nos próximos números da
revista, matérias, também investigativas, com o mesmo espírito, da
indústria da religião neste país, praticadas “em nome de JE$U$”,
amém.
É daí que o Brasil vai perceber quais eram os reais interesses
pessoais dela.
Um forte abraço
Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas, escritor, profissional de rádio e televisão
—————————————————————-

Vejam, agora, a carta que foi enviada pelo meu amigo Richard Simonetti:


Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante
Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como
publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu
trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz
reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e
tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o
trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura,
em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se
reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de
seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de
uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que
estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem
da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista
situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que
de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a
respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como
pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o
errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que
em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram
ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium,
sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o
fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e
– quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história
começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A
história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro
Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem
atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o
escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac,
Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo
literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio
Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos
conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora,
Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado
Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu
estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de
espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias
de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de
apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas
nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores
constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo
dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de
estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível.
Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém,
jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida,
sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo?
Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa
natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo
atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e
atendendo à atividade profissional. Não conheço um único
documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”.
Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a
lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para
escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de
Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu
intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer
publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça
os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria
ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos
Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o
mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem
do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era
autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não
tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a
possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia
duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo
usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um
prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre
materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de
energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica
de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas
exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria
superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel
Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William
Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e
muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da
materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses
cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na
revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico
participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno.
Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era
tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar
essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente
perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga
penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a
informação de que ele confessou que pessoas interessadas em
denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a
aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a
repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No
entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o
assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista
Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos
assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar
perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na
reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive
centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de
perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também
um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que
se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores
de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para
dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso
acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente
as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada
espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos
presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A
pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua
vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de
um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a
espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho.
Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”.
Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba
recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso,
porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de
homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas
psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal
dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo
conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo.
Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa
folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a
indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido,
verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam
respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas
entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se
atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o
atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento,
sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião
de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que
não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o
contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos
circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura
o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos
mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no
subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto.
Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a
“manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos
consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia
Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco,
porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele
próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de
15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para
Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de
amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não
por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do
Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba
que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do
Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV
Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma
quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi
“bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-
se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um
mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista
toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de
cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento
os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento
ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de
quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de
Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do
Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu
nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium,
simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria
ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar
via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de
galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma
revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta
autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter
escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico
Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o
autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de
um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de
ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura
respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa
reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o
crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o
propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena!
Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o
médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem
estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse
Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão
dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso,
transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir,
conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E
se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi
o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na
citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.
Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010

5 comentários em “Superinteressante x Alamar e Simonetti

  1. Mais uma vez os “doutores da lei” se manifestam para defenderem seus interesses. Pessoas equivocadas que sem o saber acabam por fomentar um fanatismo religioso na coletividade.

  2. Olá. Vocês lembram do Auto da Fé, pois aquele fogo continua a queimar. Queima, aos poucos, os nossos preconceitos, os nossos ódios, o nosso desconhecimento e principalmente a grande falta de FÉ. Foi Jesus, Galileu, Francisco de Assis, Ghandi, Tereza e não será diferente com o Chico. Há muito desespero na Humanidade (mundo de provas e expiações) e querendo ou não agimos durante a nossa existêcnia sem pensar, levados pelo nossso egoismo e orgulho. As respostas do Alamar e do Simonetti se fizeram necessárias. A nós espíritas nos cabe respeitar sempre qualquer opinião, mesmo a mais descabida, pois o velho TEMPO fará as correções. Com certeza Chico nada responderia. Quem viver ou morrer (desencarnar) verá. Abraço fraterno

  3. Muito bem embasados os textos do Alamar e do Simonetti, diferentemente do conteúdo da reportagem. Acredito que a Sra. Gisela faltou às aulas da sua faculdade, onde se ensina em primeira mão, um não envolvimento do repórter em relação à matéria, priorizando sobretudo a pesquisa científica. O único motivo para este lamentável ocorrido deve ser justamente aquilo que ela tenta provar com suas exposições tendenciosas: uma cegueira provocada por algum preconceito, provavelmente induzido por alguma religião que ainda não aprendeu o que representam as palavras do Cristo de amor, tão bem representadas na palavra de Chico Xavier. Gostaria que a repórter tivesse tido a oportunidade de entrevistá-lo ainda em vida, quando teria a oportunidade de somente através daquele olhar, sentir diminuir toda esta amargura e descrença que ainda persiste em seu coração. Muita paz!

  4. Parabens Alamar e Simonetti.
    O record de bilheteria do filme Chico Xavier confirma suas respostas.
    Acho que a repórter precisa ler os livros psicografados por Chico Xavier, que lhe farão bem.

  5. Concordo plenamente com Alamar e Simonetti.
    Que os leitores enredados nesta rede de desinformações publicadas pela revista possam um dia conhecer a VERDADE sobre nosso querido e irrepreensivel Chico.
    Deus nos abençoe e nos proteja!

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