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Retrato de mãe

Uma simples mulher existe que, pela imensidão do seu amor, 
tem um pouco de Deus, e pela constância de sua dedicação 
tem um pouco de anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã 
e, sendo velha, age com todas as forças da juventude; 
quando ignorante, melhor que qualquer sábio 
desvenda os segredos da natureza, e, quando sábia, 
assume a simplicidade das crianças. 

Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre, ferido pelos ingratos. 

Forte, entretanto, estremece ao choro duma criancinha, e fraca, não se altera com a bravura dos leões. 

Viva, não sabemos lhe dar o valor porque à sua sombra todas as dores se apagam. 

Morta, tudo o que somos e tudo que temos daríamos para vê-la de novo, 
e receber um aperto de seus braços e uma palavra de seus lábios. 

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum: porque eu a vi passar no meu caminho. 

Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página. 
Eles lhe cobrirão de beijos a fronte, e dirão que um pobre viandante, 
em troca de suntuosa hospedagem recebida, 
aqui deixou para todos o retrato de sua própria MÃE.

Colaboração: José Sarra – Americana, SP.