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QUANDO NÃO SE DEVE REANIMAR UM PACIENTE?

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QUANDO NÃO SE DEVE REANIMAR UM PACIENTE?
(matéria publicada na Folha Espírita em setembro de 2006)

Tratamento esgotado
“Se sabemos que cada minuto de vida a mais é importante para o ser que desencarna, no processo de sofrimento e restabelecimento espiritual, em que exato momento estaríamos fornecendo medidas inúteis e distanásicas para determinado paciente? Como saber que estaríamos cometendo excessos a esse respeito? Quando parar? Quando não se deve reanimar o paciente? Sou residente em Pediatria e presencio momentos em que crianças têm câncer fora de possibilidades terapêuticas.”
(Giovanni Murta, Fortaleza – CE)

Caro Giovanni, a sua dúvida é a mesma de muitos de nós, médicos espíritas. A Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil), no seu último congresso, em maio de 2005, divulgou uma Carta de Princípios, que contém o nosso pensamento sobre o tema. Ela pode ser acessada na íntegra no www.amebrasil.org.br.
No caso citado, de crianças com câncer, cujas tentativas de tratamento médico já se esgotaram e a doença avança para uma morte inexorável e que está em curso, de forma natural, ou seja, da própria doença, qualquer tratamento extra que vise prolongar essa situação deve ser entendido como distanásia. Se uma dessas crianças sofre uma parada cardiorrespiratória e é atendida por médico que conhece a sua história evolutiva, a tentativa de ressuscitação, por parte desse profissional, pode ser considerada uma obstinação terapêutica, ou seja, também uma distanásia e, nesse caso, haveria prejuízo no processo de desencarnação daquele espírito (veja a desencarnação de Dimas na obra Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz).

Há alguns anos, fizemos uma enquete entre espíritas, incluindo médicos da AME-Brasil e AME-ES (Espírito Santo), baseada em alguns casos, reais e hipotéticos, e as respostas foram as mais variadas possíveis, predominando, entretanto, um entendimento de que o espírito deve ficar ligado ao corpo o maior tempo possível, e o médico deve “lutar contra a morte” em todos os casos, ou seja, admitindo a prática da distanásia.
Minha opinião diverge da maioria que respondeu. Não é uma resposta simples e nem os espíritos vão respondê-la de uma maneira afirmativa. Mas a espiritualidade nos fornece exemplos interessantes para alcançarmos um melhor entendimento e chegarmos a uma conduta mais justa possível. Em Obreiros da Vida Eterna há vários capítulos sobre o processo da desencarnação, principalmente os que tratam dos casos de Dimas e Cavalcante. Sugiro que você leia essa obra, pois ela aclara muitas de nossas dúvidas sobre o “lutar contra o morrer”. Como médico espírita que passa por situações semelhantes, pois trabalho com Medicina Intensiva, sigo algumas orientações, listadas abaixo:

1) Eutanásia, nunca.

2) Distanásia, deve ser evitada. Devemos proporcionar uma morte a mais digna possível. Que o paciente, se possível, escolha onde e com quem quer morrer, de preferência em casa e de forma mais natural e menos mecanizada possível.

3) Que a morte seja vista não como um inimigo a ser combatido, mas como um processo natural da evolução do ser. Ser a favor da vida sempre, mas não lutar contra a morte quando ela está em curso e é inevitável.

4) Incentivar e divulgar a Medicina dos cuidados (conhecida como Medicina Paliativa – não concordo com essa denominação que é um tanto cartesiana, pois entendo como uma Medicina Integral que prepara o ser para outra dimensão da vida), cobrando do sistema de saúde, público ou privado, a oferta desse serviço para a nossa população.

5) Ao entrar no ambiente de trabalho, ore para obter os instrumentos necessários (inspiração) para tomar decisões mais próximas possível da Justiça Divina. Ore diante de uma situação de dúvida. Ore para o paciente que está em processo de desencarnação (muitas vezes é melhor a oração do que uma intervenção física, para o espírito que está se desligando do corpo físico).

6) O mais importante é a intenção. Nunca tenha a intenção de abreviar a vida de alguém. Se precisarmos usar um analgésico de ação central ou sedativos, que façamos com o objetivo de aliviar a dor física e não de proporcionar uma “morte suave”, como fazem alguns oncologistas que prescrevem doses maiores, acreditando que estão aliviando o sofrimento dos seus pacientes.

7) Não se esconda com medo de críticas de colegas, pois a maioria tem opiniões contrárias à nossa. Seja firme em suas posições, suas crenças e seu entendimento.

8) Se o seu talento é com a área de doenças críticas ou terminais, persista nessa sua vocação, pois são áreas da Medicina mais carentes de profissionais “humanizados”. Podemos ser bons tecnicamente e praticarmos a Medicina da Alma: humildade, respeito com os pacientes e com os colegas de profissão, segurança na Justiça Divina (fé), felicidade de servir numa seara de grandes sofrimentos e amor ao próximo.

Essas são receitas para não termos “problemas de consciência”.
Não há respostas prontas, há caminhos. Que você encontre o melhor.

Fraternalmente,
José Roberto Pereira Santos
Secretário da AME-Brasil

http://www.amebrasil.org.br

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