Skip to main content

Pneumatografia e Pneumatofonia

PNEUMATOGRAFIA (do gr. pneuma, ar, sopro, vento, espírito, e grafo, eu escrevo) – escrita direta dos Espíritos sem auxílio da mão do médium (v. Psicografia). (1)

A Pneumatografia é a escrita produzida diretamente pelo Espírito, sem nenhum intermediário. Difere da psicografia porque nesta o médium é intérprete do Espírito que se comunica e usa a mão como instrumento para a transmissão do pensamento do Espírito.

Um dos exemplos de pneumatografia mais utilizados pela indústria cinematográfica, principalmente em filmes de terror, é a escrita no espelho embaçado conforme foto abaixo:

A escrita direta é um fenômeno dos mais extraordinários. É um fato averiguado e incontestável. Um dos mais impressionantes até agora apresentados, mas não há nada de sobrenatural quando compreendemos o princípio em que ele se funda.

O sentimento mais dominante quando este fenômeno acontece é o da desconfiança. Dá a idéia de trapaça, pois, pode haver um abuso da credulidade, e não se pode afirmar que isso jamais tenha sido praticado por pessoas com interesses mercenários ou por amor próprio para impor a crença nos seus poderes a fim de conseguirem vantagens pessoais. Existem as tintas chamadas simpáticas, em que os traços invisíveis aparecem após algum tempo depois da escrita. Por isso há possibilidades de fraudes. Todavia, esta descrença desaparece assim que se passa a conhecer as pessoas do circulo e o próprio fenômeno. Mas se é possível imitar esse fenômeno é absurdo concluir que ele não exista. Pode-se admitir a sua própria ilusão, mas um fato pode responder decisivamente quando da obtenção do mesmo fenômeno por outras pessoas e o de tomarem todas as precauções necessárias para evitar qualquer tipo de trapaça ou motivo de engano.(2)

O fato de escrever sem intermediário é um dos atributos dos Espíritos, e se produziram em todos os tempos. Um exemplo é na aparição das três palavras no festim de Baltazar.(3)

Qualquer que tenham sido os resultados obtidos em épocas anteriores, foi somente depois da vulgarização das manifestações espíritas que se tomou a sério o problema da escrita direta. Em Paris, parece que foi o Barão de Guldenstubbe (4), que ao publicar uma obra com grande número de fascículos de escritas obtidas, tornou esse fenômeno conhecido. Inclusive, esse fenômeno já era conhecido na América.

Obtém-se a escrita direta, como em geral a maior parte das manifestações espíritas não espontâneas, através do recolhimento, da prece e da evocação. Muitas vezes foi obtida nas igrejas, sobre os túmulos, junto a estátuas e imagens de personagens evocadas. Mas se é evidente que o local influi e favorece o recolhimento e a maior concentração mental, também, está provado que essa manifestação pode ser obtida igualmente sem esses acessórios e nos lugares mais comuns, desde que se esteja nas condições morais exigidas e se disponha da necessária faculdade mediúnica.(5)

No princípio, acreditava-se na necessidade de colocar um lápis junto com o papel, desta forma explicava-se o fenômeno pelo deslocamento do lápis pelo espírito. Mas logo verificou-se que a presença do lápis era desnecessária e, que bastava somente a folha de papel dobrado ou não, para em breve tempo aparecer a escrita. Com isso o fenômeno mudou completamente de aspecto e lançou os experimentadores numa outra ordem de idéias.

As letras são escritas com uma certa substância, e desde que não se forneceu ao Espírito nenhuma substância, com certeza, ele a produziu e a compôs por si mesmo. Esse o problema, de onde a tirou? Ora, se o Espírito pode tirar do elemento universal os materiais para as produções de fenômenos de efeitos físicos, dando a esses objetos uma realidade temporária (6). O mesmo não ocorre com a pneumatografia, são sinais escritos que sendo útil se conservam (7). Suas propriedades são obtidas do elemento universal para escrever, produzindo assim, a grafita do lápis vermelho, a tinta de impressão tipográfica ou a tinta comum de escrever, como a do lápis preto e até mesmo caracteres tipográficos suficientemente duros para deixarem no papel o rebaixo da impressão, culminando no fenômeno de escrita direta. (7)

Essas comunicações espirituais raramente são extensas. Geralmente são espontâneas e se limitam a palavras, sentenças. Podem ser obtidas em todas as línguas, inclusive, em caracteres hieroglíficos, etc., mas ainda assim, não servem às conversações contínuas e rápidas como a psicografia permite, ou seja, da escrita obtida através da mão de um médium.

Observando-se este fenômeno com a devida atenção, procurando as causas, a convicção se firma gradualmente gerando uma compreensão segura e a conquista de adeptos sérios. Essa compreensão ainda leva a um outro resultado, o de estabelecer uma linha divisória entre a verdade e a superstição.

PNEUMATOFONIA

A pneumatofonia (de pneuma e de phoné, som ou voz) é a produção de vozes por Espíritos sem a colaboração ostensiva de um intermediário (através dos órgãos da voz de um médium de efeito intelectual, mas possivelmente, através de um médium de efeitos físicos, seja ele consciente ou inconsciente). Na pneumatofonia os sons parecem surgir no ar, por vezes entre os que testemunham o fenômeno, que, quando se trata de palavras ou frases, é também, comumente, chamado de voz direta. (8)

Os Espíritos, podendo produzir ruídos e pancadas, podem naturalmente fazer ouvir gritos de toda espécie e sons vocais imitando a voz humana, ao nosso lado ou no ar. Segundo a natureza dos Espíritos, quando de ordem inferior, supõem eles (iludem-se) e acreditam falar da mesma maneira de que quando estavam encarnados (9).

Entretanto, deve-se evitar de tomar por vozes ocultas todos os sons de causa desconhecida ou os simples zunidos do ouvido, e sobretudo de aceitar a crença vulgar de que o ouvido que zune está nos avisando de que falam de nós em algum lugar. Esses zunidos, de causa puramente fisiológica, não têm aliás nenhum sentido, enquanto os sons da pneumatofonia exprimem pensamentos e somente por isso pode-se reconhecer que têm uma causa inteligente e não acidental. Pode-se estabelecer, como princípio, que apenas os efeitos notoriamente inteligentes podem atestar a intervenção dos Espíritos. Quanto aos outros, há pelo menos cem possibilidades contra uma de serem produzidos por causas fortuitas.

Os sons pneumatofônicos manifestam-se por duas maneiras bem distintas: às vezes como uma voz interna que ressoa em nosso íntimo, e embora as palavras sejam claras e distintas, nada têm de material; outras vezes as palavras são exteriores e tão distintamente articuladas como se proviessem de uma pessoa ao nosso lado.

De qualquer maneira em que se produza, o fenômeno de pneumatofonia, quase sempre é espontâneo e raramente pode ser provocado. (10)

______ Notas (1) Ver Vocabulário da obra Instruções Práticas sobre as manifestações Espíritas e O Livro dos Médiuns, 2ª. parte, cap. XII, item 146 e seguintes.

(2) Ver o capítulo sobre as Fraudes no O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXVIII, item 314 e seguintes.

(3) O Festim de Baltazar é uma alusão a uma história da Bíblia em Daniel cap. 5,5: “Como um jovem “exibido” que se vangloriava de sua posição e poder, Baltazar deu uma enorme festa. Ele ordenou que bebessem dos vasos sagrados que Nabucodonosor tinha anteriormente trazido de Jerusalém (veja 2 Reis 24:10-14; 25:13-17; Daniel 1:2; Jeremias 28:19-22). Eles desconsagraram estes vasos santos não somente por removê-los de seu propósito ordenado, mas porque foram profanados mais tarde, quando foram usados para louvar os deuses ídolos da Babilônia. O semblante do rei mudou quando a mão escreveu na parede. Baltazar ficou aterrorizado quando viu os dedos de uma mão humana escreverem sobre o estuque da parede do palácio. Pode-se bem imaginar porque seus joelhos bateram um contra o outro! Em pânico, o rei mandou chamar os sábios de seu reino para interpretarem a escrita. Desesperado para saber o significado, ele ofereceu grandes prêmios incluindo ser o terceiro governante do reino. Contudo, ninguém podia dar a interpretação.”

(4) O Barão Ludwig von Guldenstubbe efetuou experiências com lousas onde apareciam escritas misteriosas, sem contato algum. O fato teve grande repercussão em 1850.

(5) As expressões sobre os túmulos, junto a imagens, sobre móveis decorrem das primeiras experiências feitas pelo Sr. Diddier Filho e outros membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, como se pode ver pelos relatos publicados na Revista Espírita. (Nota de J. Herculano Pires)

(6) O Livro dos Médiuns, 2ª. parte, cap. VII, item 116 e cap. VIII, item 128, questão 18.

(7) O Livro dos Médiuns, 2ª. parte, cap. VIII, item 127 e 128, questão 17 e 18.

(8) Ver Vocabulário da obra Instruções Práticas sobre as manifestações Espíritas e O Livro dos Médiuns, 2ª. parte, cap. XII, item 146 e seguintes.

(9) Ver, na Revista Espírita de fevereiro de 1858, a História do Fantasma da Srta, Clairon.

(10) J. Herculano Pirez numa nota a este capítulo de O Livro dos Médiuns diz “que nas sessões de voz direta temos o fenômeno de pneumatofonia exterior provocado. Mas como Kardec acentua, essas sessões são bastante raras. Por modernos parapsicólogos este fenômeno foi algumas vezes observado. O prof. S. G. Soal, da Universidade de Londres, realizou várias experiências com a médium Blanche Cooper, obtendo curiosos fenômenos de voz direta entre as quais a manifestação perfeitamente autenticada de um seu ex-colega, Gordon Davis, envolvendo curiosos efeitos de precognição ou visão do futuro, mais tarde também constatados pelo experimentador. Em São Paulo esses fenômenos foram observados com a médium dona Hilda Negrão e amplamente divulgados. Em Marília (Estado de São Paulo) tivemos ocasião de observá-los com o médium Urbano de Assis Xavier. Para o caso Soal ver Proceedings of Society for Psychical Research de Londres, dezembro de 1925, ou Em los Limites de La Psicologia, do prof. Ricardo Musso, Editorial Périplo, Buenos Aires, 1954, pág. 180 a 182, com explicações antiespíritas. O importante é o fato, a comprovação atual do fenômeno. Para casos em São Paulo e Curitiba ver “Fenomenologia Supranormal” em O Revelador, nºs 3 e 4 de 1942, pelo Dr. Osório César, atomopatologista do Hospital do Juqueri, relato de pesquisas científicas”.

—— FONTES PRINCIPAIS: Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, 2ª. Parte, capítulos XII e VIII ___________, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, Vocabulário. ___________, Revista Espírita, agosto de 1859, Pneumatografia ou escrita direta.

Colaboração: Natalina Maria de Oliveira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *