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Perispírito

Conheça este corpo responsável direto pela organização, formação e saúde do corpo físico denso.

Perispírito, corpo astral, corpo fluídico, ou ainda, corpo espiritual é no dizer dos espíritos um corpo fluídico que envolve o espírito.

Kardec é quem deu a este corpo fluídico o nome de perispírito, em alusão ao perisperma, membrana que envolve a semente de um fruto.

O perispírito é um dos produtos mais importantes do Fluido Cósmico Universal. “É uma condensação deste fluido em torno de um foco inteligente ou alma”.

Tanto o corpo carnal como o perispírito são matéria e derivados do Fluido Cósmico, porém a matéria de ambos se encontra em diferentes condições vibratórias, como diria o espírito André Luiz.

Praticamente, todas as civilizações humanas do passado falaram no perispírito. Os egípcios o conheciam como o KHA; na índia, no Rig Veda fala-se em Língua-Sharira; no esoterismo judeu, Nephesh; Paracelso o chamou de Corpo Astral ou Evestrum; Paulo de Tarso de Corpo Espiritual ou Corpo Incorruptível.

Formado dos fluidos espirituais de cada globo, o perispírito varia de acordo com o meio onde se encontra. Suas características dependem do nível moral e espiritual alcançado em cada individualidade, pois é esta moralidade e espiritualidade alcançadas em numerosas experiências reencarnatorias que irão funcionar como um foco de atração para este ou aquele elemento (átomo) da matéria espiritual, de sorte que o perispírito irá retratar sempre o nível espiritual de cada criatura.

Portanto, o corpo espiritual ou perispírito tem uma forma para constituir-se bem distinta do corpo físico. Enquanto este é formado basicamente dos elementos carbono, oxigênio, hidrogênio e nitrogênio (constituintes básicos da matéria orgânica), os átomos espirituais que compõem o perispírito variam de acordo com sua evolução.

Kardec nos ensina que o perispírito, por meio de uma expansão do mesmo, se une ao ser humano desde o momento da fecundação do óvulo pelo espermatozóide. Daí para frente, orienta a divisão celular do mesmo, unindo-se ao corpo físico, célula a célula, órgão a órgão, molécula a molécula, átomo a átomo. Esta união permanece por toda a vida física do indivíduo. Só quando por ocasião da morte do corpo físico é que ocorre a desunião do perispírito com o corpo físico, quando o espírito desencarnado volta ao Mundo Espiritual.

Orientando a divisão celular, o perispírito é por isso mesmo a matriz do corpo físico. Numerosos fenômenos podem ser explicados quando conseguimos perceber que a matriz do corpo físico se encontra fora do mesmo, embora agregado a ele. Um deles é o intrincado fenômeno da embriogênese.

É muito conhecido entre os embriologistas e curiosos fatos que quando nos estágios iniciais de formação do embrião, se for colocada uma célula que no seu lugar de origem já estava sendo diferenciada para dar formação a uma estrutura, por exemplo, do aparelho digestivo, se for colocada em um outro local que deverá redundar no olho do organismo, esta célula, que já se estava diferenciando, regride para o seu estágio de indiferenciação e começa agora a diferenciar-se novamente, de sorte a ajudar a formar o olho do organismo. Tudo se passa como se por trás da gênese orgânica houvesse “algo” que orientasse a sua formação.

É a este “algo” que a fisiologista francesa Claude Bernard dá o nome de “Idéia diretriz”. Hans Driesch dá o nome de “Intelékia” e o dr Hermani Guimarães Andrade, parapsicólogo brasileiro, dá o nome de “Modelo Organizador Biológico – MOB”

O espiritismo nos ensina que esse “algo”que organiza a matéria orgânica nada mais é que uma das propriedades do perispírito que se manifesta como a matriz orientadora do corpo físico.

O leitor poderá objetar que tal princípio está concentrado nos genes, que estão inseridos nos cromossomos da células, como tão bem vem demonstrando a genética, ciência que estuda os fenômenos da hereditariedade. Sem dúvida, a genética vem elucidando muitas das leis que regem a hereditariedade, porém, está longe de conhecer e explicar todos os fenômenos da organogênese.

Dentre os muitos fatos que a genética ainda não consegue explicar, poderíamos citar, como exemplo, o curioso fato das moscas sem olhos.

Dr. Hermani Guimarães Andrade relata em seu livro Psi Quântico que “realizando o cruzamento entre si, as moscas das frutas (Drosophila melanogaster), portadoras dos genes recessivos correspondentes ao caráter “mosca sem olhos”, podem ocorrer o aparecimento de moscas sem olhos. Neste caso a linhagem é pura com relação a este caráter. Isto quer dizer que, de acordo com as leis da genética, as descendências deverão ser sempre moscas sem olhos.Entretanto, não é isto exatamente o que ocorre. Depois de um certo número de gerações por entrecruzamento de moscas cegas, surgirão novamente moscas com olhos normais.

Diante de fenômenos como este, os geneticistas se perguntam o que aconteceu ou o que interferiu nos genes para provocar tal mutação e corrigir o defeito da cegueira das moscas? Para tal pergunta, a genética não tem resposta. No entanto, se a genética não responde, o espiritismo o faz quando nos afirma que toda a experiência da vida no planeta está registrada no perispírito e que, por isso mesmo, quando ocorre alguma anomalia no código genético da matéria, o espírito lança mão do arquivo mnemônico do perispírito corrigindo a anomalia, provocando pequenas alterações nos genes no transcorrer das gerações, até que o defeito ou anomalia seja corrigido.

O espiritismo não veio para desacreditar a genética ou qualquer outra ciência, mas veio para associar-se às mesmas a fim de permitir explicar numerosos fatos que a ciência, por si só, logra fazê-lo.

FORMAS FÍSICAS DOS SERES VIVOS

É bem conhecido o fato de que, no ser humano, todas as células físicas se desgastam e são substituídas, de sorte que, excetuando-se as células do sistema nervoso, todas as outras células são substituídas e, no espaço de aproximadamente oito anos, todas as células do organismo foram substituídas e no entanto, a criatura conserva os seus traços fisionômicos. Esta “memória” que permite a recomposição celular sem perda dos sinais fisionômicos do indivíduo é mais uma das propriedades do perispírito.

Como foi mencionado, a energia agregada ao corpo espiritual depende do grau de desenvolvimento moral e espiritual, do que decorre que no que diz respeito ao corpo espiritual, o que a pessoa é está estampado em sua fisionomia.

O PERISPÍRITO E AS INFLUÊNCIAS MENTAIS

Umas das características da “matéria espiritual é o fato dela ser muito dócil à ação plasmatizante do pensamento. Ela sofre a ação do,pensamento e se modela de acordo com as sugestões do mesmo. Isto nos permite compreender uma série de fenômenos do plano espiritual. Um deles é o fato de, estando o espírito condicionado que está doente, enferidado, ou aleijado, por mecanismos de auto-sugestões mentais, plasma em seu organismo os sinais das moléstias que acredita possuir, enferidando-se ou provocando aleijões. Basta, no entanto, libertar-se dos condicionamentos para que o organismo espiritual volte a se apresentar totalmente saudável.

Estas sugestões podem também chegar ao espírito por via indireta através de forte sugestão mental vinda de um outro espírito. André Luiz, espírito que nos escrevia através da mediunidade psicográfica de Chico Xavier, nos conta em seu livro Libertação, como uma mulher no plano espiritual, após sofrer fortes sugestões mentais hipnóticas de um outro espírito, de que era uma loba, acabou por acatar estas sugestões e as incorporou ao seu perispírito, cuja matéria espiritual se modelou de acordo com estas sugestões, e gradativamente as expressões fisionômicas dessa senhora foram se modificando até tomar a forma de uma loba.

Estes fenômenos de transformação fisionômica de espírito por sugestões hipnóticas é conhecido como licantropia. No entanto, é preciso esclarecer que esta é uma alteração provisória e não definitiva já que. Depois de cessadas as sugestões hipnóticas, imediatamente o indivíduo recupera sua fisionomia humana. Portanto, não se trata, de um retrocesso evolutivo, o que nunca acontece conforme nos esclarece a doutrina espírita.

A matéria espiritual atua em um espaço diferente do nosso. Possivelmente em um espaço de mais de três dimensões. Isto nos permite compreender o porquê do corpo espiritual ou perispírito pode atravessar a nossa matéria sem impedimento. Um espírito pode atravessar as nossas paredes e as nossas portas mesmo que fechadas.

PERCEPÇÕES E SENSAÇÕES

No corpo físico, a percepção do mundo exterior é feita através dos órgãos dos sentidos, exceto o fato que nos permite perceber o meio que nos cerca através de todo o nosso organismo. Nós só podemos ouvir pelos nossos ouvidos, ver pelos olhos, degustar pelo paladar e sentir os odores pelo nosso olfato.

No entanto, no plano espiritual podem perceber o mundo espiritual através de todo o seu perispírito. Isto é, podem ver, sentir, ouvir, perceber odores e o gosto das substâncias, por qualquer parte do seu perispírito e não somente pelos seus órgãos dos sentidos.

Alguns fatos paranormais estudados pelos nossos cientistas parecem apoiar estes conceitos. Dr. César Lombroso, famoso metapsiquista italiano, teve no transcorrer de sua vida médiuns de renome à sua disposição e que lhe permitiram interessantes pesquisas e estudos. Certa feita, trabalhou com sensitivas que apresentavam uma sensibilidade exacerbada quando em estado hipnótico. Estas sensitivas, quando em transe hipnótico, eram capazes de perceber odores e sons petas mais variadas localizações de seu corpo. Eram, por exemplo, capazes de sentir odores pelos pés ou ouvir pelos joelhos.

Se formos explicar o fato pela teoria espírita, ocorre que no indivíduo em transe hipnótico, o perispírito se expande e se exterioriza além dos limites corporais. Como a sensibilidade do perispírito é global, a capacidade de penetrar o meio externo pode acontecer em qualquer ponto do organismo. No entanto, quando o indivíduo sair do estado hipnótico, o perispírito se recolhe aos limites do corpo físico e a percepção exterior volta a ser percebida só, através de sentidos físicos.

Outros fatos que também parecem cooperar para que se acredite na sensibilidade global do perispírito são as experiências conscientes de desdobramento.

O sr. Monroe, de nacionalidade americana, apresenta esta interessante característica de se desdobrar conscientemente. Muitas dessas experiências ele relata em seu livro Viagens Fora do Corpo.

Em uma dessas viagens, conta o sr. Monroe que andava por um determinado local quando, sem que virasse a cabeça, teve a sensação de ter visto um determinado objeto que estava situado atrás. Ao voltar a cabeça para trás, constatou a presença do objeto. Em inúmeras outras experiências de desdobramento, percebeu que poderia ver sem os olhos, até tomar consciência de que estando desdobrado e com sua consciência trabalhando em seu perispírito poderia ter uma visão de 360 graus e de que não necessitava dos olhos para ver. O “ver pelos olhos” era somente um condicionamento que adquirira com o seu corpo físico.

LOCOMOÇÃO AÉREA E LUMINOSIDADE

Como já conhecemos, a matéria que compõe o perispírito dos espíritos depende do grau evolutivo do mesmo. Quanto mais evoluído, maior é a capacidade do espírito de atrair “átomos” mais sutis da matéria espiritual para formar o seu perispírito. Estes átomos mais sutis são de pouca densidade e muitas vezes emitem luminosidade. Esta baixa densidade permite a esses espíritos sofrerem uma atração gravitacional muito pequena do planeta onde se encontram, o que lhes facilita a locomoção permitindo mesmo a alguns deles a volitação, isto é, a capacidade de voarem. A luminosidade irradiada pelos “átomos” espirituais permitem a esses espíritos irradiarem luz e até mesmo poderem ser reconhecidos pelo seu espectro luminoso.

Todos os fenômenos mediúnicos acontecem graças às propriedades do perispírito.

Portanto, no perispírito se encontra a chave para o conhecimento dos fenômenos mediúnicos.

Para que aconteça o fenômeno mediúnico é preciso que o perispírito se expanda e que se exteriorize para além do corpo físico. E o que Kardec chama de exteriorização do perispírito. Assim, expandido, o persipírito passa a exibir as suas propriedades, apercebendo-se do meio espiritual que o cerca. Se essa percepção não impressionar nenhuma área específica do cérebro, o indivíduo tem uma percepção geral do plano espiritual inespecífica, que em geral lhe chega à consciência em forma de impressões emocionais como de agrado ou desagrado. Quando estas impressões conseguem impressionar determinadas áreas cerebrais, elas podem ser específicas e o indivíduo pode “ver” ou “ouvir” o mundo espiritual.

Os espíritos podem, peta sua vontade, e isto também está na dependência de suas aquisições evolutivas, condensar as moléculas de seu perispírito até que as mesmas se aproximem das características das moléculas da matéria física, o que permite que sejam vistos pelos médiuns videntes.

Bicorporcidade é a visualização do espírito de um vivo, isto é, um indivíduo encarnado. O indivíduo em desdobramento, ou com o seu perispírito afastado de seu corpo físico, poderá também sofrer uma condensação de suas moléculas, que se for de grande intensidade poderá impressionar até os olhos físicos de qualquer criatura, dando a impressão de que o indivíduo tem dois corpos, o que vulgarmente é conhecido como “homens duplos”.

TRANSFIGURAÇÃO

O médium em transe mediúnico sofre um apagamento de seus traços fisionômicos e aparece a fisionomia da entidade comunicante.

O que parece ocorrer é o seguinte:

Há uma exteriorização do perispírito do médium além dos limites de seu corpo físico. Ocorre, por mecanismos de afinidades, uma sintonia do perispírito da entidade que deverá se comunicar. Forma-se uma atmosfera psíquica perispiritual comum entre o médium e a entidade. Através desta atmosfera perispirítica comum há uma simbiose de pensamentos, sentimentos e sensações de ambos. Em seguida, as moléculas do perispírito do médium sofrem uma condensação, formando uma névoa brumosa em torno do médium, escondendo os seus traços fisionômicos. Por mecanismos telepáticos, o médium recebe as impressões fisionômicas da entidade comunicante e o próprio psiquismo do médium impressiona o seu perispírito com os traços fisionômicos da entidade comunicante, dando a impressão ilusória de que a entidade entrou no corpo do médium. Este fenômeno é bastante raro.

Fenômeno ainda mais raro é quando o médium sofre uma transfiguração e com o seu perispírito exteriorizado e as moléculas do mesmo condensadas, permite que se veja o seu estágio evolutivo estampado em seu perispírito.

O estudo do perispírito é muito apaixonante e no conhecimento de sua natureza e propriedades, se encontra a chave que nos permite compreender uma gama enorme de fenômenos biológicos, psíquicos e paranormais.

Notas: (Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 25, páginas 32-36)
Por:  Edvaldo Kulchesk

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