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Para além do sofrimento

HÁ UM TEMPO PARA TUDO,
UMA ESTAÇÃO PROPÍCIA A CADA ATO, DEBAIXO DO SOL,
UM TEMPO PARA NASCER, OUTRO PARA MORRER
– Eclesiastes 3:1

Somos capazes de superar a perda de um ente querido? É possível recomeçar a vida sem a pessoa com quem costumávamos compartilhar-lha? Será que as lembranças dos tempos felizes conseguem nos devolver o gosto pela vida?
Não há respostas fáceis para essas perguntas. Quando alguém deixa o mundo terreno e passa para o mundo espiritual, isso significa que nunca mais teremos um contato físico com essa pessoa. Mas sempre poderemos sentir sua presença e mesmo partilhar nossa existência com ela através da lembrança viva em nossos corações e em nossas mentes, nos dando conta de que, como ser espiritual, livre do limite da condição física, ela estará mais próxima de nós do que nunca.
Como a citação da Bíblia diz, há um lugar e um tempo naturais para cada experiência terrena. A cada vez que retornamos ao mundo físico, usufruímos um crescimento espiritual. Toda ocorrência em nossa vida determina e mede esse crescimento. Assim como o ciclo das estações, em que algo morre no inverno e renasce na primavera, haverá sempre na vida um fim e um recomeço. Tudo o que fazemos tem a ver com esse crescimento.
Toda criatura terrena experimenta algum tipo de perda. Pode ser a demissão de um emprego, um divórcio, um acidente ou um crime. Pode ser um objetivo nunca alcançado ou simplesmente o fato de envelhecer. Podemos considerar como perdas as mudanças de vida, sempre estressantes, mas compreendemos que também esse tipo de experiência tem sua função em nossa existência. Há alguns passos que podemos dar para transformar nosso sentimento de perda em uma experiência benéfica, algo que contribua para alcançarmos maior plenitude em nossas vidas. O primeiro deles é reconhecer e aprender a lidar com o sofrimento.

COMO RECONHECER O SOFRIMENTO

O sofrimento assume diferentes aspectos – físico, mental e emocional. Desamparo, ansiedade, insônia, medo, irritabilidade, rancor, depressão, náusea, falta de ar, palpitações; mesmo pensamentos suicidas podem ser considerados como sintomas ou sinais de grande sofrimento. É importante dar-se conta de que chorar a perda de alguém (ou de alguma coisa, como no caso de um emprego) é absolutamente normal. Quando sofremos uma perda, temos a sensação de que nossa vida terminou, de que nada será como antes. Achamos que não conseguiremos suportar um dia sem a pessoa que perdemos. É como se o mundo tivesse sido virado pelo avesso. Nada mais parece se encaixar ou fazer sentido… instala-se um desequilíbrio total. Não conseguimos nem tomar decisões. Frequentemente, chegamos à conclusão de que não somos mais capazes de controlar nossas emoções – choramos por qualquer coisa, trememos ante o menor desafio. Todos esses sentimentos e sensações fazem parte da experiência do sofrimento. Não devem ser subestimadas ou consideradas erradas.
Como fazemos para nos recuperar? Embora o foco deste texto seja a perda de entes queridos, os estágios podem ser aplicados à frente de qualquer tipo de perda, uma pessoa, um animal de estimação, um lar, um emprego – ou mesmo a uma convivência longa com algum tipo de enfermidade. O processo de cura, igualmente, aplica-se à maioria das situações de perda.

1. O CHOQUE
Quando uma pessoa é notificada da morte de alguém querido, sua primeira reação pode ser entrar numa espécie de estado de choque, algo como uma vertigem, uma fixação no pensamento: “Isso não pode ter acontecido.” Como se tomada por um transe, ela parece um zumbi, vagando sem se dar conta de onde está. Mais tarde, pode até não recordar esses primeiros dias. O esquecimento é uma espécie de ajuda da natureza, nos permitindo fechar, inconscientemente, nossas mentes até podermos começar a lidar com a súbita mudança em nossas vidas.
Esse choque inicial pode durar algumas horas, dias e, quando termina, é importante ter um amigo próximo ou alguém querido para nos dar apoio. É justamente quando passa o choque que mais precisamos de amparo. E aí começa a dor de verdade.
Ao sofrer a dor, precisamos lembrar que sentir raiva, sentir-se ferido, é uma reação muito natural. Você irá superar essa fase. A vida retornará ao normal.

2. NEGAÇÃO
Quando nos sentimos feridos, nossa tendência é negar. Fazendo isso, parece mais fácil lidar com a dor. Queremos tanto que a dor não exista, que a negamos, tentando nos convencer daquilo em que queremos acreditar. Mais uma vez, é nossa mente inconsciente tentando lidar com a dor da perda.
A negação se manifesta de várias maneiras: desinteresse pelas ocupações diárias ou mesmo o afastamento delas; dormimos demais ou sofremos de insônia; perdemos o apetite; deixamos de cuidar de nossa higiene diária; ficamos presos a uma profunda depressão.
Mais uma vez é importante perceber que a negação é uma etapa normal do processo de dor e que, eventualmente, nos tornaremos capazes de superá-la.

3.SENTIR A PERDA
O primeiro passo para a cura é aceitar a realidade da nova situação – SIM, porque você sofreu uma perda. A perda é real, e reconhecê-la é muito importante. Sinta-a com intensidade. Não reprima seus sentimentos, não os esconda, pensando que pode estar se portando de maneira imatura. Chore, chorar é uma reação natural e necessária para o corpo. Há provas científicas das lágrimas de tristeza são bioquimicamente diferentes das lágrimas provocadas pelo riso, pela felicidade. Assim, chorar ajudará você a liberar substâncias químicas do seu organismo.
Extravase seus sentimentos sem ferir nem a si nem os outros. Canalize-os para uma atividade física, algum esporte, soque um travesseiro, ou vá a algum lugar afastado, onde possa gritar à vontade. É compreensível que sinta dor, que sofra; liberar essa raiva só fará bem à sua saúde.
NÃO TENTE DETERMINAR O QUE DEVERIA ESTAR SENTINDO: CADA UM DE NÓS É UM INDIVÍDUO ÚNICO QUE REAGE DE MANEIRA DIFERENTE A CADA SITUAÇÃO, SOBRETUDO EM CASO DE PERDA… NÃO HÁ CERTO NEM ERRADO QUE SE APLIQUE A VOCÊ!
Portanto, para nos mantermos saudáveis, precisamos vivenciar plenamente nossos sentimentos, uma dor reprimida devora-nos por dentro e se manifesta através de uma série de problemas de saúde e enfermidades: dores, alergias, obesidade, incômodos variados, câncer.

4. RECONHECIMENTO E ACEITAÇÃO
Aceitar a morte do ente querido não significa concordar com ela; estamos apenas encarando a realidade. Esse é o primeiro passo para reencontrar o equilíbrio. Compreendemos que a pessoa se foi, não teremos mais contato físico com ela. No entanto, nos a reencontraremos quando chegar a hora de transpormos para o mundo espiritual.
Uma perda é sempre irreparável. A dor é proporcional à intensidade dos sentimentos em relação à pessoa falecida. Mas é importante dar-se conta de que experimentar a dor a fundo já é uma forma de cura. Você pode – e conseguirá – recuperar suas forças e voltar à vida, continuando assim seu processo de aprendizado.

5. ESTABELECER OBJETIVOS PRÁTICOS
Além de lidar com a perda, é importante restabelecer a ordem no seu dia-a-dia, do ponto de vista financeiro e prático. Isso vale especialmente quando a pessoa falecida se encarregava sempre dos assuntos referentes a dinheiro. Não fique constrangido se precisar de ajuda e orientação. Alguém da família, um amigo ou mesmo um advogado podem lhe oferecer esse apoio nessas horas, ajudando bem mais do que você imagina!

6. SEGUIR EM FRENTE
O Sol se põe e a cada dia nasce outra vez. Você atravessou um período de muita tensão emocional.
No entanto, chegou a hora de retomar sua vida, seguirem frente. Um novo capítulo da sua existência irá ser escrito.
Esse é o melhor momento para pedir ajuda a um terapeuta ou grupo de apoio. Nesses grupos, todas as pessoas sofreram perdas semelhantes e precisam de ajuda para prosseguir em suas vidas.
Uma atividade física regular também ajudará muito, eliminando possíveis sentimentos negativos e liberando hormônios por todo corpo.
Lembre-se porém, de que dor e cura não sucedem uma a outra da noite para o dia, e não há como determinar o tempo que uma pessoa leva para curar-se e refazer sua vida. Seus entes queridos estarão sempre próximos, mesmo que você não esteja consciente de sua presença. USUFRUA AS LEMBRANÇAS QUE GUARDA DELES. ELAS FAZEM PARTE DE SEU PATRIMÔNIO EMOCIONAL E SERÁ UMA FONTE PERMANENTE DE ALEGRIA SE VOCÊ ACOLHÊ-LAS!!!

Do livro Conversando Com Os Espíritos – James Van Praagh
Recebido de: Ana Paula Brandão Ferreira

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