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Ouvir é uma arte

Hoje, Senhor, quedo-me diante de ti para confessar que estou descobrindo caminhos novos.
Diante de criaturas que falam de suas dores consigo ouvi-las com a alma.
Antes, havia um burburinho em minha alma e eu tinha uma infinidade de verdades, de ansiedades que se acotovelavam em meu peito, impedindo-me de sentir a dor do outro.
Eu consigo me calar integralmente e, então, as palavras das outras pessoas penetram em meus ouvidos e deslizam pelo meu corpo e alma e encontram guarida em meu coração e um porto seguro em meus pensamentos .
Sabe, Senhor, às vezes eu nem preciso responder ou finalizar caminhos. Elas, as outras pessoas, por si só vão encontrando soluções para os seus problemas.
É maravilhoso, Senhor, observar essas outras pessoas andando calmamente, após ter realizado suas confissões.
Assemelham-se a passarinhos que encontram seus ninhos e as mães que as acalentam no peito.
Uma outra descoberta eu fiz, Senhor. Posso ver as pessoas em situações de um jeito diferente. É gostoso ver o outro lado, ver o que elas sentem e pensam sem que eu faça um julgamento pré-concebível. Antes eu observava tudo com os olhos de ontem tendo como referência o que aprendera ou as atitudes que elas tiveram no passado.
Era complicado e, às vezes, doloroso.
Pois é, agora estou aprendendo a olhar, com o coração… olhar a alma de tudo e de todos. É só dizer o que sinto em sintonia com o universo ou com a alma da própria pessoa.
Aprendi que não tenho todos os caminhos nem soluções. Sou também um viajante desse universo e só posso iluminar meus caminhos ou aqueles que eu já percorri. O que posso dizer, Senhor, é que elas façam o melhor por si mesmas, amem-se intensamente e se perdoem infinitamente.

Ah, Senhor! Quantas pedras carreguei em meus ombros; quantas imagens nocivas guardei em meu cérebro e coração. Agora, quero ser livre, quero me libertar de medos e culpas para poder levar com mais leveza minha vida.

Pois bem, essa confissão/gratidão eu escrevi antes de atender uma cliente. Pode ser uma experiência psicográfica ou não, segundo um amigo de Richard Bach, que escreveu o livro “Fernão Capelo Gaivota”, o autor realizou ali uma experiência de psicografia porque toda obra foi escrita a jato; jorrou do universo para sua mente e dali para o papel em uma tarde em que eles se encontraram na praia.
Essa experiência “receber” mensagens não é privilegio dos médiuns ou de um Chico Xavier. Você mesmo que lê essas palavras pode realizar isso, transformar-se em uma ponte que facilita a travessia de um mundo para outro. Como? Ora, em uma conversa com amigos no telefone, nas recomendações que faz para os filhos, em um momento de crise ou dor…
Na verdade, o universo está sempre plugado com a humanidade; cada criatura tem sua antena e possibilidade de sintonia. Aos que captam todo e qualquer tipo de freqüência, esse acesso depende muito das decisões e escolha que realizamos em torno da vida.

Seja audaciosa, mantenha a conexão com o universo com coragem e alegria. Essa criatura que deixou esse recado/confissão é um ilustre desconhecido que realizou a sua sintonia, eliminou preconceito, desfez o burburinho interno e colocou-se à disposição do universo, assemelhou-se a um bambu: abriu a sua alma e deixou que jorrasse para minha mente tudo o que sentia. E eu plugado deixei que suas palavras se derramassem no papel.

Você já deve ter tido a triste experiência de querer e precisar falar de si, da sua dor e dúvidas. Mas, a criatura que você escolheu para fazer a confissão não consegue ouvir… mal você inicia seu depoimento e a outra logo interrompe dizendo: Ah, minha amiga! Bem sei o que sentes. Olha isso não é nada… você precisa ver o que aconteceu com minha prima … e aí ela vai relatando coisas e fatos distantes de você, ausentando-se e deixando-a ali sozinha.

Ouvir é uma arte! E saiba que um dos órgãos mais complexos e completos que seu corpo possui é o ouvido. É um aparelho perfeito que pode transformar sons em palavras. No entanto, fique sabendo que esses ouvidos nada podem perceber quando a alma está ausente.

Ouvir é a arte de aconchegar almas… quando você ouve com a alma e coração, a sensação que é transmitida ao outro, assemelha-se ao carinho que os seios de uma mãe oferecem ao rosto da criança na amamentação.

Ouvir com a alma é antenar-se com o Deus que existe no outro ser. Você tem dúvidas de como se iniciar nessa arte? Ora, é fácil, exercite-se ouvindo os pássaros, observe o barulho da água, dê atenção ao pobre que estende a mão.

Reserve um tempo e dê ouvidos para aquela pessoa empinada cheia de jóias que fala sem parar de suas vaidades. Ouse tudo e tenha a coragem de se sentir agraciado por Deus.

por Wilson Francisco – wilson153@gmail.com

Colaboração:  Natalina Maria de Oliveira

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