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Não digas nunca: Coitado

Hábito tradicional, piedoso mesmo, mas de absoluto negativismo, é essa exclamação:

“-Coitado!…” ou “-Coitada!…”

Essa exclamação tem um poder mórbido, capaz de fazer descer o nível moral do que mereceu tal comiseração.

Se a vida coloca pedras e precipícios em nosso caminho é porque quer que os atravessemos conscientemente, sabendo que nos compete romper todos os obstáculos para que conquistemos algo e não nos retiremos daqui com as mãos vazias.

Não é coitado quem vive uma situação difícil, física ou moral; é apenas uma criatura numa experiência necessária que precisa de um estímulo que lhe alimente a coragem e a resistência, mas não de piedade.

Muitos há que dizem coitado só com os lábios, mas não dariam um passo para socorrer o companheiro em dificuldade. O que fez foi enviar uma mensagem telepática de desânimo, de pessimismo.

Ninguém é coitado no mundo. Os que levam a cruz do sacrifício precisam de um Cirineu, é certo, mas não de um derrotista.

Devemos romper com os velhos hábitos e adotar maneiras condizentes com o que a vida espera de nós.

A evolução não pára nem retrocede. Caminhar com a evolução é ser positivo, é encarar as coisas, por mais desagradáveis que sejam, com otimismo sadio e serena confiança, não vestindo de luto a vida que nos dá tantas oportunidades de sermos felizes e de vivermos alegres.

Só podemos dar o que possuímos. E se vivemos nos lamuriando com pena de nós mesmos, se nos achamos “coitados” quando atravessamos uma crise, então, para oferecer aos nossos companheiros de jornada não teremos senão essa piedade doentia.

Encaremos a vida como escola de aprendizagem e aperfeiçoamento e afastemos da mente as idéias negativas, para que possamos servir aos que se envergam sob o peso das provas.

Compreendendo a razão de ser da vida, não temos mais o direito de lastimar coisa alguma, em nenhuma situação.

Esforcemo-nos por compreender que tudo o que acontece tem uma razão oculta que foge ao nosso entendimento, mas traz sempre uma mensagem de luz e um impulso de progresso.

A exclamação “-Coitado!” importa numa condenação a Deus que permitiu o sofrimento e nos leva a uma aliança com o desespero de quem sofre.

Nosso problema não é o de lamentar nenhuma situação, mas de levantar moralmente os que se acham abatidos.

Não é punição o que a dor nos revela, mas sim o meio que nos é concedido para aprender alguma coisa que nos é mostrada em nossa existência, mas que, embevecidos com as ilusões do mundo não procuramos entender ou não compreendemos a lição que encerra.

O azorrague da dor é a força que nos desperta, orientando-nos, dando-nos visão ou corrigindo-nos a rebeldia ou a indiferença.

Em futuro não muito distante tudo nos será claro, e, entendendo a linguagem da vida, a ela obedeceremos sem necessidade de ter pena de nós nem de ninguém, porque seremos fortes na obediência à lei de Deus.

Livro-Vem! ( Cenyra Pinto)

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