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Inveja, veneno que se alastra…

Originária desde tempos antigos, a inveja é um pecados capitais que mais me assusta.

Sempre caminhando ao lado da cobiça, um sentimento gerado pelo egocentrismo e pela soberba.

São indivíduos que disputam poder, riquezas e status.

Nos últimos dias, Americana foi invadida por uma avalanche de dúvidas no meio político, social, empresarial e até religioso.

As fofocas não pouparam ninguém.

Do pequeno ao alto escalão.

Não estou aqui com o mérito de questionar a veracidade dos fatos, isso cabe aos envolvidos.

O que debato aqui é que muitas vezes, boatos plantados carregados de inveja podem resultar em danos irreversíveis.

Coincidência ou não, deparei-me essa semana com uma frase sensacional do escritor espanhol Franscico Quevedo: “A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come”.

É o desequilíbrio íntimo oriundo de um sentimento de inferioridade, fruto da comparação que se faz em relação à outra pessoa em algum aspecto específico.

É uma ferida que tende a se agravar à medida mais e mais com o desamor, as derrotas e a falta de humanidade.

Lembrei-me de uma parábola sobre um vaga-lume chamado Spai, que voava pela floresta e, como de costume percorria determinado caminho para ir para casa.

No meio do caminho notou a presença de outro animal, porém não deu muita atenção, pois se tratava de uma cobra, um bicho que nunca o incomodaria.

Spai continuou a voar e percebeu que a cobra começou a segui-lo.

Quanto mais rápido voava mais rápido a cobra o seguia.

Em determinado momento o vaga-lume cansou-se e, vendo que a cobra estava cada vez mais perto, resolveu parar e enfrentar a desafiante.

A cobra demonstrava raiva e deixava clara a intenção de devorá-lo simplesmente.

“Por que tu me segues?

Por que tu me queres matar?

Eu nem faço parte de sua cadeia alimentar.

Eu não te fiz nada!”, questionou.

A cobra respondeu um simplesmente “Não sei”.

Então o vaga-lume insistiu na pergunta e a cobra finalmente desabafou:

“Ora vaga-lume, eu odeio ver alguém brilhar na minha frente”.

Curioso que sou fiquei imaginando se a cobra havia ou não devorado com sua inveja o vaga-lume.

Fiz algumas pesquisas e descobri outras versões.

Numa delas, quando a cobra foi atacá-lo, Spai apagou a sua luz por um momento e conseguiu esconder-se da invejosa.

Ele tomou outra direção e sobreviveu, mas teve que apagar seu brilho por instantes, sempre preocupado com os sentimentos daqueles à sua volta.

Assim acontece entre os seres humanos, que preferem canalizar energias na inveja e maldade ao próximo ao invés de usá-las em benefício próprio, grandes feitos ou realizações.

Como disse o pensador Rafael de Oliveira Leme:

“Num lugar onde é semeado inveja, as idéias nascem mortas”.

Wagner Sanches
Jornalista
wagno_sanches@yahoo.com.br

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