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Homossexualidade, Condenável? Patológico?

É difícil falar das experiências que não vivenciamos. Contudo, não preside a isto a ideia de condenar, mas sim de compreender e fundamentalmente Saber Educar. Divaldo P. Franco responde-nos a pergunta formulada(1): Como tratar um filho homossexual? Devemos aceitá-lo, corrigi-lo, condená-lo, enfim, cercear a sua personalidade, quando ela seja inconveniente? Como o pai espírita, principalmente, deve administrar esse problema dentro do seu lar? “Primeiro, temos o dever de acompanhar o filho desde a infância, para observar-lhe as tendências e os direcionamentos comportamentais. Muitas vezes, pais frustrados estimulam comportamentos equivocados na conduta sexual dos seus filhos: a mãe que esperava uma menina, e veio um menino; ela começa a vestir o menino de menininha, a transferir seus conflitos e irrealizações para o filho, ou o pai que desejava um filho varão para preservar o nome, e veio uma filha; ele passa a tratá-la com dureza, porque no inconsciente, está marcando esse espírito profundamente e submetendo-o a uma conduta de comportamento sexual que não harmonizará sua psicologia com sua anatomia. Se os pais, desde cedo, acompanharem o desenvolvimento emocional dos filhos, notarão as primeiras manifestações que os alertarão para o homossexualismo, que, afinal de contas, é uma experiência evolutiva no processo de desenvolvimento dos valores éticos do ser. O Espiritismo, de forma alguma, é contra a estrutura homossexual do indivíduo, não anuindo, porém com a pederastia, a entrega do homossexual aos hábitos e práticas perturbadoras, o que é muito diferente. A pessoa pode ter uma sensibilidade masculina num corpo feminino, porém não é necessário que tenha uma vida promíscua só porque existe esse choque entre sua psicologia e sua anatomia. Se os pais acompanharem o filho, ao chegar o momento em. que a puberdade ensaia necessidades de inter-relacionamentos homossexuais, eles o advertirão, orientarão, mas não expulsarão o filho do lar. Aquele que tem o problema, é quem mais necessita de paciência e ajuda. Confunde-se, muitas vezes, a ajuda que se dá como anuência ou conivência com o erro. Ora, se o aflito, estando ao nosso lado, entrega-se a condutas reprováveis, fora de nós, entregar-se-à à promiscuidade, à prostituição. Ao nosso lado, pelo menos, conserva o pudor, a dignidade, e menos se rende aos estados angustiantes do comportamento. Se o faz, os pais devem chamar-lhe a atenção, estabelecendo um código de ética enquanto permaneça no lar… A partir da desobediência desse compromisso, que assuma o seu próprio papel, vivendo a vida como lhe apraz. Os filhos não são dos pais e sim da Vida, como assevera Gibram Kalil Gibram, em O Profeta. Educamos os filhos para nós. É comum um pai, uma mãe dizer: eu me decepcionei com o meu filho. Psicologicamente essa é uma postura equivocada e, espiritualmente, ainda mais o é. Educamo-los para eles mesmos, e deveremos dar-lhes a liberdade para viverem conforme considerem a melhor maneira de ser felizes. Antes, apresentaremos as diretrizes de paz, no entanto, a opção é deles. Não cabe, assim, aos pais detestá-los, expulsá-los do lar, pôr arroubos de pudor ferido, quando os filhos demonstrarem sua própria preferência sexual, fora dos padrões pro criativos. Somos de parecer que o homossexualismo é uma experiência para o espírito e não uma doença, como pretendem alguns estudiosos. Seja, porém, como for, o filho homossexual merece e necessita assistência e educação e amor.” Quando falamos em homossexualidade não podemos dissociar-nos da liberdade de consciência e do espírito, pois entre eles existe uma forte ligação biunívoca. Os mídia têm abordado com insistência o comportamento sexual do homem, face aos altos índices de desvario. As abordagens colocam questões de natureza psicológica, emocional, orgânica e biológica, na procura de respostas para estes problemas da sexualidade. Não é uma temática nova, entretanto, está longe de resolução, pelo homem dito da ciência materialista, em que esta, já não tem razão de existir, após Einstein. Ainda não aceitam ou não querem, melhor dizendo, o «homem integral» com a sua responsabilidade como espírito reencarnado e filho e herdeiro de Deus, com a missão de aperfeiçoar-se rumo à angelitude. Os geneticistas têm tentado encontrar genes que explicariam este problema, como sendo um desvio de comportamento sexual. Outra corrente, na psiquiatria, tenta encontrar enzimas cerebrais que influenciariam no comportamento sexual. Dizem também, os melhores sexólogos, que é uma preferência sexual. Mas sabemos que é uma experiência a que o espírito se impõe, ou a que vem por imposição, causada por uma conduta anterior, na qual não soube manter o seu equilíbrio. Nada tem esta tendência a ver com mudanças morfológicas de sexo, por parte do espírito sexualmente caracterizado, existindo inúmeros casos de reencarnações em que ocorrem mudanças de sexo, não causando a homossexualidade a estes espíritos. O assunto é delicado. Como identificar as suas causas? Só assim se pode tentar minimizar os seus efeitos, com o apoio duma nova postura da psicologia e da sexologia diante destas novas experiências, pois tudo indica que seja uma temática de foro espiritual. Nesta faixa em que o espírito se movimenta, estamos diante de um processo de evolução. Aqui o ser terá que tentar não desperdiçar esta oportunidade, mas para isso terá que entendê-la. Enquanto espíritas, não temos condições de recriminar quem quer que seja por seus comportamentos individuais e coletivos. Compete-nos, isso sim, alertar, esclarecendo, porque a aplicação desvairada do sexo à luz da vida e do amor é assunto pertinente à consciência de cada criatura, recordando que todos trazemos as nossas imperfeições. Passamos e passaremos por múltiplas reencarnações, quer com vestes somáticas femininas e masculinas. Isso explica a bissexualidade em muitos. O indivíduo ao reencarnar trará consigo as feições sexuais que mais pesarem ao longo do processo evolutivo. Compete-lhe evoluir. E porquê? Por causa do aprendizado que deverá assimilar, já que cada somatologia oferece educação, deveres especiais e novas experiências, pois têm tarefas, características e sensibilidades diferentes, e como o espírito é o mesmo, este só atingirá o seu grau de evolução terreno quando souber reencarnar-se em ambos os sexos indistintamente, aprendendo desta forma, todos os estádios que a vida lhe proporciona. Aquele que fosse sempre homem só saberia o que sabem e sentem os homens, decerto que não entendia o nobre valor da maternidade. A sede real do sexo não se acha no veículo físico, mas no espírito, na sua estrutura complexa. A forma individual em si obedece ao reflexo mental dominante, notadamente no que se reporta ao sexo, manifestando-se o ser com os distintivos psicossomáticos de homem ou de mulher segundo a vida íntima, através da qual se mostra com as qualidades espontâneas acentuadamente ativas ou passivas. A alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade e na masculinidade conforme as características passivas ou claramente ativas que lhe sejam próprias. O sexo, é uma ponte que liga o homem a um despertar da consciência individual, estando ao serviço da felicidade e da harmonia do universo, sendo este espírito e vida. Muitos ainda não alcançaram o entendimento de que o sexo é uma força essencialmente libertadora. Este, define-se por um atributo não somente digno de respeito, mas fundamentalmente uma graça divina da natureza, exigindo educação e controlo. Pelo sexo dimana forças geradoras poderosas, às quais devemos no neste planeta a divina reencarnação, o templo do lar, as alegrias revitalizadoras do amor, a riqueza inapreciável dos estímulos espirituais e as bênçãos de uma fa
mília. Desse contacto recíproco, em que cada qual deve dar-se para possuir, surge o jogo de forças morais capaz de transformar, sublimando as características individuais. O espírito que vem vivendo do sexo pelo sexo vive em experiência ilusória, e não vê o sexo como uma porta de divina nobreza, mas sim como um gueto de miséria, de dissolução, de desvario arruinando seus irmãos e a si próprio, confundindo o amor com paixão e instinto sexual a qualquer custo. Tais indivíduos, ao passarem para o plano espiritual pelo desencarne, e mesmo quando encarnados, tornam-se presas de obsessores, que visam implantar o sexo como lema, vampirizando-os. Reencarnam em novas experiências, uma das quais é a homossexualidade. Amargam então uma existência de humilhações e de solidão, e, para aprenderem, a misericórdia divina, que somente sabe amar e nunca punir, dá infinitas oportunidades ao espírito para se reajustar e reequilibrar-se. Assim, este espírito é induzido amorosamente pelos benfeitores espirituais a reencarnar num corpo com um sexo contrário ao que teve antes, para reajuste dos seus sentimentos mais sutis. Outras vezes, é o próprio espírito que, com os instrutores espirituais, roga a tão desejosa oportunidade de se modificar através deste processo reencarnatório. No entanto, em qualquer caso ele (espírito) nunca está só. Sem dúvida que o controlo dos impulsos sexuais não é uma tarefa fácil: exige disciplina, vontade férrea, superação de dificuldades presentes e vínculos provenientes de outras existências, mas é uma luta necessária na procura do equilíbrio, fazendo parte integrante da auto-educação que compete ao espírito, individualmente, realizar. E, a característica principal do espírito é a sua liberdade. Fausto eterno, insatisfeito com a realidade que o cerca, ávido de romper as barreiras do seu ser e do seu meio, vive na ânsia incontida de sair de si, de descobrir outros ambientes, outros mundos… E, se pode agir sobre os determinismos do organismo, é porque há nele um princípio super-orgânico que é uma potência de liberdade. Sejam, embora esses determinismos impostos pela hereditariedade, instintos ou hábitos, do passado ou do presente. E se os vence, contrariando-os, fá-lo, muitas vezes, por um valor mais alto, para dar um sentido à vida moral, intelectual, à sua perfetibilidade. Não era sem razão que os antigos gregos atribuíam ao espírito o grau mais elevado da energia e do poder. Energia e poder que o espírito encontra na transformação das tendências e na sublimação da energia instintiva em atividade espiritual, por esforço próprio. O Consolador prometido por Jesus, através da sua terapia balsâmica, racional e espiritualizante, faculta ao homem a vitória, porque lhe revela as inúmeras potencialidades que ele tem, e espera, com a imortalidade – o nascer, viver, morrer e renascer de novo e progredir sempre -, o encontro com o amor, esse sublime sentimento que une as criaturas na caminhada ascensional. Perguntamos se estes seres tem o direito de experimentar o amor, de experimentar o sexo. Compete aos indivíduos responderem conscientemente – (com + ciência) -, com sabedoria. O espiritismo edifica posturas comportamentais. Cada indivíduo terá que justificar a sua atitude, no entanto, uma lei é incontestável: temos o dever de nos respeitarmos e de respeitarmos o nosso semelhante. Não está em causa qualquer sintomatologia ou patologia, mas uma experiência de vida. A postura mental e a conduta sexual é que irão estabelecer a moralidade ou a imoralidade destas experiências individuais, sejam homo ou heterossexuais. Terminamos com uma pergunta feita a Chico Xavier(2): Como o Espiritismo encara o problema da homossexualidade? Qual a melhor atitude da sociedade frente a essa ocorrência? “Acreditamos que o tempo e a compreensão humana traçarão normas sociais suscetíveis de tranquilizar quantos se vinculam a semelhante segmento da comunidade,assegurando-se-lhes a benção do trabalho com o respeito devido a todos os filhos de Deus.” “Até que isso se concretize, não vejo pessoalmente qualquer motivo para criticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedira certo numero de pessoas de trabalhar e de serem uteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria.” “Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”

De: Luis Almeida, Porto Portugal ( Membro e colaborador do CECA – Centro Espírita Caridade por Amor Rua da Picaria, 59 – 1º Frente 4050-478 Porto )

Lúcia Rebelo.-Revista Cristã de Espiritismo

(1) – «Laços de Família», Divaldo Pereira Franco.

(2) – «Lições de Sabedoria», Chico Xavier.

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