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Desafios de uma sociedade moderna

Retornando novamente ao nosso tema: Arte e Espiritismo, gostaríamos de falar um pouco do caminho palmilhado pela sociedade, quando se trata das suas predileções, gostos e atitudes, bem como os seus gostos artísticos.

A Arte, ao longo dos séculos, desde a pré história, já foi vista sob vários formas. Na préhistória, antes mesmo da invenção da escrita, já era utilizadas nas pinturas para registrar as suas caçadas, até hoje encontradas em sítios arqueológicos. Outra forma de utilização da Arte, foi como veículo para manifestações espirituais, tal como as danças e músicas, tal como acontece até hoje, em comunidades indígenas e africanas, que se utilizam da Arte para facilitar o transe consciencial, para, segundo os mesmos, melhor se conectarem com suas divindades.

Os Gregos com seus cultos ao Oráculo e aos Deuses, a sua produção poética e literária, dos seus textos teatrais, varam os evos numa demonstração de concepção de beleza que transcendeu o pouco conhecimento da época. Isso sem falar na sua arquitetura majestosa, mas de arquitetura também poderíamos citar o Grande Egito, Roma, Maias, Incas, Astecas, etc.

E se então falarmos então da Arte Sacra, da música sacra, dos cantos gregorianos, nome atribuído ao Papa Gregório, na idade média os vitrais e mosaicos Bizantinos, as arquiteturas góticas, as esculturas e obras de pinturas geniais, registradas na Capela Sistina e em tantas espalhadas pelo mundo! E as artes ideológicas, presentes em povos para cultuarem aos seus imperadores, bem como para exaltar os feitos de seus exércitos e dinastias, como existem na China Milenar entre tantos outros países do oriente! No Brasil, em períodos de grandes conflitos políticos, tal como aconteceu em vários países, a música foi também utilizada como veículo político – ideológico, para motivar as pessoas a reagirem contra o sistema político vigente, e durante as primeira e segunda guerra mundial, vários cantores cantavam canções de coragem aos soldados, para que melhor defendessem os seus países. Esta também foi a época de muita produção de Hinos pátrios, e de exaltação ao exército.

Pois bem, passamos por tantas e tantas experiências, e hoje os artistas não pintam mais para registrar as suas caçadas, mas pintam para transmitirem uma idéia, uma concepção de vida, registram os seus sentimentos! Os compositores e poetas registram as suas alegrias, desventuras, desilusões, desejos, sonhos, esperanças, etc.

Mas, diante de tudo isso que nós conhecemos sobre a relação da Arte com os seres humanos, do quanto ela mexe com os nossos sentimentos e mentalidades, qual será o seu verdadeiro papel? Qual é, verdadeiramente a sua função? Ou Arte não deveria ter nenhuma função, sendo apenas um veículo, utilizado de acordo com os interesses das gerações que as utiliza? Alguns defendem que a Arte não deve ter função nenhuma, que ela apenas existe em função de nos utilizarmos dela para manifestarmos os nossos sentimentos, mas será que com tanto poder de influenciar modificações de costumes, que nós vemos hoje na grande mídia, de Artistas Pop, influenciando gerações ao uso de álcool, cigarros, de drogas e tantos outros hábitos, tanto poder de ‘mexer’ com os ânimos dos apreciadores, tal como músicas e literaturas que já acompanharam processos de suicidos dos seus apreciadores, não teria mesmo o Cinema, a sétima Arte, uma função maior que veiculação de filmes de terros, de sexualidade, crimes ou tragédias?

Mas vejamos a opinião do Codificador: Allan Kardec, em Obras Póstumas: “…Assim como a Arte Cristã sucedeu a Arte Pagã, transformando-a, a Arte Espírita será o complemento e a transformação da Arte Cristã. O Espiritismo, efetivamente, nos mostra o porvir sob uma luz nova e mais ao nosso alcance. Por ele, a felicidade está mais perto de nós, está ao nosso lado, nos Espíritos que nos cercam e que jamais deixaram de estar em relação conosco…”

Independente de sabermos o que seria, verdadeiramente, esta Arte Espírita, se estamos perto ou longe ainda de a Arte transcender os limites da Arte puramente pagã, que vemos hoje em abundância, nos veículos de comunicação, ou da Arte Religiosa separatista, que priviligia apenas as suas doutrinas, sabemos que existe uma nova arte que estará acima de tudo o que concebemos na atualidade! Estaria a humanidade preparada para desfrutar de uma manifestação artística mais espiritualizada? Mais fraternal e menos separatista? Menos apelativa aos sentidos grosseiros e mais refinada no amor e na amizade sincera?

Clayton Prado

claytonpradoespirita@gmail.com

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARDEC, Allan. Obras Póstumas(OEuvres Posthumes, 6º édition française, Paris, 1912). Trad.

de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa. Araras, SP, IDE, 7ª edição, 1999, Cap. IX, p.194 .

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