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Desabafo de uma jovem desempregada

Dias desses recebi mais um e-mail entre centenas que recebo diariamente.

Esse em particular me chamou a atenção.

Tratava-se de um desabafo.

O desabafo de uma jovem, que no auge de seus 29 anos, está desempregada há muito tempo.

Luciana Tsuchiya, esse é o seu nome, é uma jovem como tantas outras.

Aos trancos e barrancos ela concluiu, com muita dedicação e boa vontade, a faculdade de Turismo.

Isso em 2003. Fez estágios e até trabalhou como garçonete e recepcionista em hotéis.

Mas a chance tão esperada e a oportunidade de trabalho que tanto se fala em sala de aula, tarda a chegar.

Cansada da longa espera, a jovem do Jardim Guanabara disparou em todos os seus endereços de e-mail o que ela chama do “Grito de Socorro” de uma brasileira que clama por uma oportunidade.

Ela começa seu desabafo mais ou menos assim:

“Não aguento mais acordar e me deparar com o preconceito com o qual sou obrigada a conviver quase que diariamente, o desemprego.

E não venham me dizer que nossa sociedade não é preconceituosa, que esse paradigma já foi quebrado há muito tempo e blábláblá…

Que futuro a minha geração terá?

Estou simplesmente em busca de trabalho seja braçal, manual ou de qualquer outro tipo.

Desde que seja algo digno e que me assegure uma vida melhor a mim e à minha família”.

O desabafo levou-me à reflexão.

Nos últimos meses é visível a permanência de jovens pedintes em semáforos.

São jovens sem perspectivas, entregues à ociosidade, às drogas, à criminalidade e ao desapego à família.

Então me pergunto se esses jovens, hoje em situação de risco, também já não gritaram por socorro e tiveram o apelo ignorado.

O engraçado é que desde pequeno ouço que somos privilegiados por morar no Brasil, o país das oportunidades.

Oportunidade para aqueles que têm status, que têm dinheiro, que são apadrinhados e gozam de bom relacionamento.

O universo profissional, assim como o social, é permeado pelo jogo de interesse e indicações.

Conheço inúmeros casos em que a gostosona turbinada ‘abocanhou’ a vaga da estudiosa com inúmeros cursos.

“Não quero que me dêem o peixe pronto, mas que me ensinem a pescar.

Dentre tantos desempregados nesse país, sei que sou apenas mais uma.

Só que resolvi não me conformar com essa condição.

Cansei de me calar, de abaixar a cabeça…

Cansei de ouvir milhares de nãos e de tantas portas na cara!”, continua ela num dos trechos mais chocantes do desabafo.

“Me viro nos 30 com os bicos, mas sei que posso ir além.

Só quero uma oportunidade.

Fiquem com Deus e obrigada por lerem esse desabafo de uma jovem desempregada!”.

De: Wagner Sanches
wagno_sanches@yahoo.com.br

Um comentário em “Desabafo de uma jovem desempregada

  1. Ando numa tristeza, pois perdemos um familiar, esposo de minha irmã que conviveu conosco por mais 30 anos, era uma pessoa muito popular, animada, que conduzia quase tudo, minha mãe é espiritualista, mas percebo que sentiu o baque, minha irmã apesar de demonstrar serenidade tá muito sentida. Nós todos estamos sem chão.

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