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Centenário de Chico Xavier

ABRACEI CHICO XAVIER MATERIALIZADO

Para aqueles que não sabem quem foi Chico Xavier, trazemos inicialmente a opinião do jornalista Artur da Távola, ex-Senador da República, em sua crônica de 26 de maio de 1980, no jornal O Globo: “Além da aura de paz e pacificação que parte dele, há um outro elemento poderoso, a explicar o fascínio e a durabilidade da impressionante figura de comunicação de Chico Xavier: a grande serenidade pessoal do médium, a dedicação integral de sua vida aos que sofrem e o desinteresse material absoluto.

A canalização de todo o dinheiro levantado em direitos autorais para as variadíssimas atividades assistenciais espíritas dá a Chico Xavier uma autoridade moral (…) que o coloca entre os grandes líderes religiosos do nosso tempo”.

Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo, pequena cidade de Minas Gerais próxima à capital, Belo Horizonte, no dia 2 de abril de 1910, vindo a desencarnar no dia 30 de junho de 2002, em Uberaba (MG), onde viveu parte de sua vida dedicada ao bem e ao exercício da mediunidade com Jesus.

Ao longo de sua vida, o médium mineiro não conheceu repouso. Com sacrifício de sua própria saúde, consolou e enxugou as lágrimas dos milhares de sofredores que o procuravam em Pedro Leopoldo, e depois em Uberaba, até o final de sua existência.

O médium mineiro foi um ser humano que levou uma vida simples e humilde, sem apego às coisas materiais, sendo uma das personalidades mundiais sempre lembradas para receber o Prêmio Nobel da Paz. Viveu às custas do seu trabalho como operário, balconista e modesto funcionário público, sem receber qualquer tipo de remuneração a título de direitos autorais pela venda dos livros recebidos mediunicamente.

É bom frisar: Chico Xavier nasceu pobre e morreu pobre.

LIVROS PSICOGRAFADOS

Chico Xavier iniciou publicamente seu mandato mediúnico em 8 de julho de 1927, em sua cidade natal. Porém, desde os 5 anos de idade ele se relacionava com os espíritos, inclusive o de sua mãe, Maria João de Deus. Ela escreveu, por seu intermédio, em 1935, o livro Cartas de Uma Morta, no qual descreve fatos ocorridos na sua desencarnação, tecendo interessantes comentários reveladores sobre suas atividades no mundo espiritual e relatos das suas viagens aos planetas Marte e Saturno, quando constatou serem os mesmos habitados por seres melhores do que os da Terra.

Os 419* livros psicografados por Chico Xavier, ditados por dezenas de autores espirituais, contemplando todos os gêneros literários, abordam temas filosóficos, científicos e religiosos.

Dentre os autores do além, destacamos poetas famosos, como Castro Alves, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos; reconhecidos escritores brasileiros, como Humberto de Campos e Ruy Barbosa, e muitos outros nomes de expressão nacional.

Digno de nota é o fato de que Chico só cursou o primário, e ainda, a de que todas essas obras foram traduzidas para o inglês, francês, espanhol, grego, tcheco e japonês, bem como transcritas em braile, totalizando milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior. Vale aqui registrar que os direitos autorais de todas elas foram revertidos em favor de diversas instituições Espíritas beneficentes.

MINEIRO DO SÉCULO

Chico Xavier foi um exemplo de vida, de confiança, de renúncia e de bondade. Sua figura boa e humilde, que viveu em pleno século XX, foi um exemplo vivo do homem em sintonia com Jesus, iluminado pela Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, razão pela qual foi o vencedor do concurso realizado pela TV Globo de Minas Gerais para eleger “O Mineiro do Século”.

Ele recebeu 704.030 votos, superando Pelé, Juscelino Kubitschek e Santos Dumont.

Em razão disso, a revista Época publicou ampla matéria a respeito do fato e do Movimento Espírita no Brasil e no mundo, com a manchete: “O pastor de todas as almas”.

Destacou, inclusive, que “Chico Xavier, aos 90 anos de idade, atrai multidões que vão a Uberaba para um encontro com o maior expoente do Espiritismo no Brasil”, e aqui acrescento: do mundo também.

A revista ressaltou que Chico, em mais de sete décadas de trabalho mediúnico, amparou aflições e distribuiu esperança. Milhares de pessoas de todas as religiões, dentre elas Espíritas ou simpatizantes do Espiritismo, sempre foram confortadas pelo seu coração generoso e amigo.

Ainda segundo a revista Época de novembro de 2000, foram vendidos cerca de 25 milhões de exemplares de suas obras.

É um best-seller no mundo da literatura. Está em primeiro lugar em vendagem o livro Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz. Podemos afirmar com toda certeza que Chico Xavier foi não apenas o Mineiro do Século, mas sim um homem integral, exemplo do homem do terceiro milênio.

INTELIGÊNCIA E HUMOR

Um médico legista, pensando que poderia abalar a crença de Chico Xavier, disse-lhe que durante muitos anos, fazendo necropsias e dissecando cadáveres a bisturi, nunca havia encontrado a alma, matéria-prima das religiões, e principalmente do Espiritismo, que o médium professava. Chico Xavier, com a sua habitual tranqüilidade, respondeu–lhe perguntando: “Doutor, como é que o senhor queria encontrar o pássaro depois que ele fugiu da gaiola?”.

De fato, como é que o médico legista queria encontrar “o pássaro”, isto é, o Espírito, no cadáver, depois de ele ter fugido da “gaiola”, ou seja, do seu corpo físico? Respondendo com uma pergunta, aliás, uma forma inteligente de se responder, o médium mineiro deixou bem claro àquele médico que defunto não pensa, não fala, não anda, exatamente porque não tem alma, pois a sede das faculdades intelectuais e morais do homem reside no Espírito encarnado, e não no corpo físico.

PROVA DA IMORTALIDADE

Chico psicografou centenas de cartas consoladoras dirigidas a familiares saudosos, enviadas pelos parentes domiciliados no mais além. Muitas delas, revelando nomes totalmente desconhecidos pelo médium, foram grafadas com a mesma letra dos falecidos. A prova cientifica disso está apresentada no livro “A Psicografia à Luz da Grafoscopia”, de autoria de Carlos Augusto Perandréa, professor da disciplina de “Identificação Datiloscópica e Grafotécnica” da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná.

Dentre os casos examinados pelo grafotécnico Perandréa, um dos que despertou mais interesse foi o da mensagem psicografada por Chico Xavier no dia 22 de julho de 1978, em italiano, do espírito de Ilda Mascaro Saullo, desencarnada em Roma, em 20 de dezembro de 1977, dirigida aos seus familiares residentes no Brasil.

Nessa altura, é bom esclarecer que o médium mineiro nunca aprendeu a falar e a escrever a língua italiana.

Após os exames efetuados com base nos estudos técnico-científicos de grafoscopia, pôde a perícia comprovar sem dúvidas a sua veracidade, chegando aos seguintes resultados categóricos: “A mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 22 de julho de 1978, atribuída a Ilda Mascaro Saullo, contém demonstração fotográfica, em “número” e em “qualidade”, consideráveis e irrefutáveis características de gênese gráfica suficientes para a revelação e identificação de Ilda Mascaro Saullo como autora da mensagem questionada”.

Como se vê, o fato é teimoso e contra fatos não há argumentos…

CHICO MATERIALIZADO

Pude constatar a prova da superioridade moral de Chico Xavier ao participar de uma reunião de efeitos físicos, no Grupo Espírita Dias da Cruz, em Caratinga (MG), no ano de 1975, para tratamento das coronárias.

Nessas reuniões, os Espíritos se materializavam por intermédio do ectoplasma fornecido pelo médium Antônio Salles, onde centenas de pessoas foram operadas, tratadas e curadas gratuitamente. Numa delas, fui abraçado por Chico Xavier materializado, constatando que ao seu lado encontrava-se seu guia espiritual Emmanuel, materializado também. Ao fim de sua visita, ouvimos a voz do Espírito Bezerra de Menezes dizendo: “Chico, está na hora de nós irmos embora”.

Chico me confirmou esse fato pessoalmente, quando almoçava com ele numa de suas visitas à Fundação Marieta Gaio, nobre instituição Espírita do Rio de Janeiro.

É importante esclarecer que o corpo de Chico Xavier repousava em Uberaba, no momento de sua aparição tangível em Caratinga, a 700 km de distância daquela cidade.

Essa faculdade, isto é, a bicorporeidade, era a mesma de Santo Antônio de Pádua. Conta-se que ele pregava na Itália quando adormeceu. Na mesma ocasião, surgiu em Portugal para defender seu pai, injustamente acusado de assassinato. Este fato motivou a sua canonização.

Santo Afonso de Liguori, fundador da Congregação Redentorista, também foi canonizado antes do tempo previsto, por ter sido visto durante a sua vida terrena em dois lugares diversos ao mesmo tempo: em sua cela de sacerdote e ajudando o Papa, em processo de desencarnação no Vaticano, o que foi considerado um milagre para a Igreja.

Os fenômenos da bicorporeidade de Santo Antônio de Pádua, de Santo Afonso de Liguori e de Chico Xavier se deram pelo fato de, por suas virtudes, desmaterializarem-se completamente das coisas do mundo, elevando suas almas para Deus, segundo se deduz dos esclarecimentos de Allan Kardec, no capítulo X de O Livro dos Médiuns.

HOMEM DE BEM

Por esse pequeno resumo da vida e obra de Chico Xavier, fica evidenciado que ele foi um homem de bem, tal como definido por Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo. A sua força moral residiu na humildade e no imenso amor devotado aos seus irmãos em humanidade.

Nunca viveu da religião, ou dela se beneficiou pessoalmente. Doou-se totalmente ao seu ideal como Espírita, a todos os seus irmãos em humanidade, e principalmente aos “vencidos”, aos sofredores de toda sorte, aos desesperados, encorajando-os para a vida com sua palavra amiga e consoladora.

Ao nosso querido Chico, agora domiciliado nos altos planos da vida espiritual, os nossos votos de muitas realizações espirituais, sob as bênçãos de Jesus.

Gerson Simões Monteiro

Presidente da Fundação Cristã Espírita Paulo de Tarso

(*) – Atualmente, o número já passou de 450 títulos, com a perspectiva de novos lançamentos ainda, apesar de já transcorridos quase oito anos de sua desencarnação. (nota de Fernando Peron, fevereiro de 2010).
Colaboração: Natalina Maria de Oliveira

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