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A Ciência e o Espiritismo

:: Wilson Francisco ::

No Livro dos Espíritos, capítulo VII da Introdução, Allan Kardec informa que as ciências repousam sobre as propriedades da matéria que se pode experimentar e manipular à vontade; os fenômenos espíritas repousam sobre a ação de inteligências que têm a sua própria vontade e nos provam a cada instante que elas não estão à disposição dos nossos caprichos. Por este motivo, a espiritualidade determinou e elaborou a ciência espírita, com objeto e metodologia próprios, além de definir que o resultado da ciência no Espiritismo será sempre a conseqüência moral, ou seja a motivação para que o homem – crendo – possa se tornar mais espiritualizado, mais ético e com uma atuação social muito mais eficaz.

Embora tenha objeto, metodologia e metas específicos, a Ciência Espírita não caminha paralela à Ciência convencional; elas se imiscuem, se tocam por vezes, uma apoiando a outra, apesar do ceticismo dos cientistas. Observemos, por exemplo, o seguinte: a dança das rãs, a queda da maçã e outros fatos pitorescos marcaram o surgimento de alguns princípios da Ciência, enquanto a dança das mesas e as pancadas na parede permitiram a organização da codificação espírita.

A maior força da ciência espírita, como está explícito no capítulo VI da conclusão, é que a fenomenologia espírita e, por conseguinte, os princípios da ciência espírita estão na Natureza, não foram criados ou inventados por Allan Kardec, nem pelos Espíritos. Desde prístinas eras o homem está envolvido com a existência dos Espíritos e com fatos espirituais. Na Bíblia (velho e novo testamento) encontramos uma série de situações que demonstram a existência e ação dos Espíritos na vida humana.

Surgindo na Era Moderna, após o longo período de cegueira da Idade Média, quando os médiuns eram queimados como bruxos, o Espiritismo trouxe uma grande colaboração para este novo tempo, esclarecendo para a sociedade atual este fenômeno, tido como sobrenatural. E mostrou para a ciência, através de grandes médiuns, como Mirabelli, Arigó e Chico Xavier, a verdade da interferência do mundo espiritual. E um pouco antes, elucidou os cientistas, com pesquisas e experimentações sérias através de Aksakof, Camille Flamarion, Leon Denis, Gabriel Delanne e tantos outros.

Na atualidade, a contenda se faz menos compulsiva, pois a ciência caminha a passos largos para descobrir a existência do Espírito, após provar, ela própria, que a Matéria não existe (desfeito o mito do átomo) e que tudo é ENERGIA, como atesta Elaine de Beauport, cientista, em suas pesquisas. Ela diz que o cérebro humano é um sistema de energia.

INVESTIGAÇÕES PSÍQUICAS NA EUROPA

A Faculdade de Psicologia da Universidade de Amsterdã – Holanda, abriu o Departamento de Estudos de Cognição Anômala. Objetivo: estudar e analisar clarividência, precognição e efeitos PK (ação da mente sobre a matéria). O coordenador desse setor é o Professor Dick Bierman.

EXPERIÊNCIAS AMERICANAS

Em 1968, o jornal da Sociedade para Pesquisa Psíquica publicou uma reportagem feita por Célia Green na Universidade de Southampton. Ela perguntou a centenas de estudantes se já tinham tido alguma experiência em que estivessem se sentindo “fora do corpo”. Um em cada 5 estudantes (20%) respondeu positivamente. Um ano depois, a mesma pergunta foi feita a 380 estudantes da Universidade de Oxford. Desses, 33% responderam que sim. A maioria dos estudantes, entretanto, conseguia se lembrar de apenas uma experiência. A minoria (20%) lembrava-se de até 6 ou mais. Alguns responderam poder induzir o estado de “sair do corpo” voluntariamente ou, pelo menos, ter algum controle sobre o processo, sendo que a hora mais comum para esse tipo de “saída” sempre fora ou ao dormir ou ao acordar. Após a publicação dessa reportagem, muitos casos vieram a público. O mais famoso deles é o de Robert Monroe, publicado em 1971, em Nova Iorque, em forma de livro (Journeys out of the body).

UM CASO CIENTÍFICO

Até onde possuímos informações queremos crer que a primeira vez que o assunto “viagens fora do corpo” foi tratado ou abordado no meio científico aconteceu em 1927. Nesse ano, sir Auckland Gedds descreveu à Real Sociedade de Medicina de Londres um episódio acontecido com ele próprio. Resumo do episódio: certa noite Geddes sofreu um ataque, tendo como causa provável intoxicação alimentar. O mal foi tão agudo, e repentino, que nem teve tempo de telefonar pedindo socorro médico.
Prostrado em seu leito, não perdeu a lucidez, mas, aos poucos, percebeu que nele coexistiam duas formas de consciência. Uma ele denominou A e identificou como sendo a mente. A outra, que chamou B, pertencia ao corpo. Como sua condição física piorasse, a consciência B começou a se desintegrar, “parecendo estar fora do corpo”.
“Gradualmente, descreve Geddes, percebi que podia ver não apenas meu corpo e a cama onde estava, mas a casa inteira, o jardim e todas as coisas em Londres e na Escócia. Vi, depois, que alguém entrava em minha casa, correndo ao telefone quando me viu deitado, chamando um médico. Quando este chegou, aplicando uma injeção, senti que voltava ao corpo à medida que o ritmo das batidas do coração aumentava”.

Todos estes fenômenos já foram exaustivamente estudados e comprovados como verdadeiros pela Doutrina Espírita, por investigadores antigos como por experimentadores atuais. Embora o Espiritismo não seja uma ciência, dentro dos padrões convencionais, pode-se dizer que os fenômenos e os estudos realizados em algumas sociedades espíritas de pesquisas têm caráter científico. O objeto do Espiritismo é o Espírito, não o corpo. E o objetivo do Espiritismo é dar ao ser humano um padrão de dignidade mais elevado no convívio social, no cumprimento das leis e no estabelecimento de um nível de igualdade de direitos e deveres que respeite a diversidade social, dando a cada um os direitos mínimos de uma sobrevivência digna.

Isto posto, entendemos o Espiritismo como uma ciência social de alto valor, quando transcende a humanidade física para resgatar dos umbrais extra-físicos esta outra humanidade, a do mundo dos Espíritos, que permeia a existencialidade corpórea, dando-lhe a oportunidade de se conscientizar sobre a vida após a morte e sobre os distúrbios que a influência exercida na vida terrestre pode causar no comportamento das criaturas, quando esta influência for inconseqüente ou maléfica.

E para finalizar, deixamos a palavra de Ralph Waldo Emerson para reflexão: Nada está morto; os homens se fingem de mortos e suportam falsos funerais, chorosos obituários, mas lá estão eles, a tudo assistindo pela janela, vivos e em boa saúde, sob nova e estranha forma.

Wilson Francisco é Terapeuta Holístico
Email: wilson153@itelefonica.com.br
Colaboração: Natalina Maria de Oliveira

Um comentário em “A Ciência e o Espiritismo

  1. Doni
    A Doutrina Espírita é um acervo de conhecimentos que nos ajuda a conhecer a verdade e o espírita não pode esquecer o “Saber”, porque o próprio Amor depende da Sabedoria para brilhar como o Sol dentro do coração.
    Parabéns pela escolha, a mensagem esclare e nos leva á reflexão.
    Que Jesus te abençoe. Abraços fraternos. Natalina

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